A alienação está arraigada na sociedade – II

Posted on 23/09/2010 por

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>Alienação política – De acordo com o sociólogo brasileiro Simon Schwartzman, ex presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alienação política é a incapacidade de um povo em se orientar politicamente conforme seus próprios interesses; é o desinteresse total pelos fatos políticos.

De acordo com Platão e Aristóteles, o homem é um animal político, pois o verdadeiro cidadão é aquele que efetivamente participa da vida em sociedade; um ser social é um ser político, pois a política nada mais é que condição do bem comum. Assim sendo, aquele que não vive em sociedade, ou é um Deus, ou é uma besta.

Desta forma, fica claro a necessidade do homem de atuar como sujeito ativo no processo de formação da polis. Logo, pode-se afirmar que a alienação política é a não interação do ser humano com as ações políticas e sociais.

Atualmente, a alienação política está presente na realidade brasileira com prática do consumismo e a despreocupação em relação aos problemas sociais, que flagelam a nossa nação. Isso é um fenômeno que nos leva a não percepção dos acontecimentos nos quais estamos inseridos. A população deve sentir-se inserida na sociedade e participar ativamente dos processos políticos para que a situação seja invertida. O primeiro passo para transformar um estado alienante em um de participação responsável, ativa e consciente é investir na educação, com o objetivo de despertar a consciência política dos cidadãos, junto ao senso de responsabilidade e justiça. O processo é necessário para que possamos viver em uma sociedade realmente democrática, criando assim um Estado ideal.

>Entrevista com o Professor Faro

 

Alienação Mental – Entende-se por alienação mental (ou “transtorno mental”) qualquer forma de perturbação mental que incapacita o indivíduo para agir segundo as normas legais e convencionais do seu meio. Assim, um indivíduo alienado mental é incapaz de responder legalmente por seus atos na vida social, tornando-se totalmente um dependente de terceiros no que diz respeito às diversas responsabilidades que o convívio em sociedade exige. O alienado mental pode representar riscos para si e para os outros que vivem no seu mesmo ambiente, sendo assim impedido de qualquer atividade funcional, devendo ser obrigatoriamente interditado judicialmente. Em alguns casos, torna-se necessária a sua internação em hospitais especializados visando(ao longo de seu tratamento) a sua proteção e a da sociedade.

Porém, é importante que se faça algumas ponderações. A convivência social exige regras e regulamentos necessários para que as relações entre os indivíduos de uma sociedade sejam organizadas. O comportamento das pessoas dentro de um contexto social acaba sendo padronizado por uma ética, de um modo geral. Considerar um indivíduo como alienado mental é decretar seu fim social, já que a interdição ou a cura é uma sentença para isso. Se pensarmos que o que caracteriza o homem como ser social é sua inserção na sociedade (cumprindo o pacto social), um alienado mental será excluído de tal definição de homem. É a força da lei que intima os indivíduos a uma postura de respeito aos seus pares na vida social.

Aplicar a lei, quando diante deste, significa trazer de volta o indivíduo infrator a este mundo.. A aplicação da lei é uma exigência e uma necessidade que o próprio homem se impõe a ele mesmo. O alienado mental é também um indivíduo estranho e destacado da sociedade, isto é, deixa de fazer parte dela ao ser impedido de submeter-se aos desígnios da lei. Deixa de ser sujeito de suas ações para tornar-se objeto das ações de outros.

Por isso deve-se ter muito cuidado ao diagnosticar por completo alguém que seja portador da alienação mental, ainda que este conceito seja jurídico e não psiquiátrico, devendo a Junta Médica fazer o devido enquadramento.

Conversando com a Doutora em Psicologia Social e Vice-diretora do Curso de Educação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Leda Maria de Oliveira Rodrigues, ela nos disse que, em sua visão de Pedagoga e Psicóloga, a alienação mental é um estado psicológico importante, derivado de uma educação em que certos valores culturais e institucionais são impostos ao indivíduo, a partir da coerção, repressão e imposição.

Perguntamos a ela como a alienação metal poderia afetar o ingresso de um jovem no ensino superior. Leda foi bastante explicativa em sua resposta: “Em se tratando do assunto educação, um indivíduo normal, para seu desenvolvimento educacional deve ter clareza de seu potencial, dos alcances e limites de sua capacidade intelectual. Acima de tudo, deve conseguir dimensionar suas condições enquanto indivíduo, pois ao adentrar a uma instituição escolar estará dependendo das condições de aprendizagem formal (instituição escola) e informal, ou seja, das relações sociais que se apresentam na vida como um todo. Tal alienação pode impedir que ele, dentro de uma instituição educacional (de qualquer nível) seja compreendido socialmente, pois esse estado lhe tira a consciência de quem de fato ele é e principalmente, impede o convívio social, já que todas as pessoas lhe são estranhas, inclusive seus familiares”.

Ao longo da entrevista ela nos explicou também que este “jovem alienado” que tem o interesse de ingressar no Nível Superior não terá condições de avaliar a si próprio, seu potencial de estudo e sua produção. Ele não poderá optar conscientemente, quanto ao que poderá escolher para uma possível profissionalização e poderá também ter muita insegurança quanto à sua bagagem cultural, o que de fato aprendeu, além de não ter caminhos claros sobre os diferentes cursos para seu ingresso neste ensino. “No estado de loucura ou  perda da razão por perturbações psíquicas, caso tenha chegado ao ensino superior, poderá não conseguir permanecer na instituição, terá problemas sim nas relações sociais e por sua vez, poderá não progredir nos estudos” completa a Professora.

Sendo assim, alienação mental torna inapto o indivíduo no que trata das suas relações sociais, inclusive as familiares. Assim, terá dificuldades na sua trajetória escolar como um todo e por sua vez no ingresso ao ensino superior, também.

Um dos exemplos mais presentes em nossa sociedade de Alienação Mental é causado por jogos eletrônicos e que também atinge jovens entre 16 e 22 anos. Seja em casa ou nas lan houses(que em 2000 tiveram o seu “boom” no Brasil), o uso indiscriminado desses jogos por parte dos jovens vem causando sérios problemas para estes tanto psíquicos quanto comportamentais. “Quando imerge naquele universo, o jogador não se dá conta do conteúdo, que pode até ser inadequado. Por isso, também seria importante aprender a questionar a qualidade e a veracidade desse conteúdo” diz Lynn Alves, professora e pesquisadora do Departamento de Educação da Uneb (Universidade do Estado da Bahia).

E é dentro desse mundo dos “games” que surgiram os jogos eletrônicos de natureza violenta, e foi por isso que, em Outubro de 2008, o juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado de Minas Gerais decidiu proibir a venda dos jogos Counter Strike(sua trama divide os jogadores em equipes – terroristas X antiterroristas, por exemplo – e é preciso eliminar os adversários à bala) e EverQuest(mundo fictício com ares de Idade Média que uma partida abriga centenas de pessoas de uma vez em disputas quase sem fim) em todo o território nacional. Para ele, os jogos “trazem imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública, impondo sua proibição e retirada do mercado”. Porém, como a Justiça não proibiu o uso dos jogos – apenas a comercialização -, as lan houses não estão obrigadas a deletá-los. “Estamos notificando as lan houses de uma decisão judicial. Jogar ou não depende de um critério moral de cada pessoa e de cada família, já que os jogos são proibidos para menores de 18 anos” afirma Antonio Carlos de Lima, superintendente do Procon de Goiás.

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Alienação Parental  – A Síndrome de Alienação Parental (SAP) é de todos os tipos de alienação um dos menos conhecidos, mas na prática milhões de crianças no mundo sofrem desse mal.

O termo “Síndrome de Alienação Parental” foi dado pelo professor de psiquiatria clinica da Divisão da Psiquiatria Infantil da Universidade de Columbia, Richard Gardner, no ano de 1985, para a situação em que a mãe ou pai de uma criança tenta acabar com os laços com seu parceiro, gerando fortes sentimentos de ansiedade e temor em relação ao outro genitor. Na briga pelos bens ou no desejo de vingança dos pais, no final das contas as crianças são as mais prejudicadas. As conseqüências da alienação parental aos filhos podem ser nocivas, já que atingem diretamente o lado psicológico da criança. ”É uma manipulação da memória emocional”, diz Cássia Franco, psicóloga com especialização em casais e família.

Emocionalmente induzida a muitas interpretações da situação, a criança pode vir a “acreditar” em situações que não ocorreram de fato, como um abuso sexual, por exemplo. Às vezes apenas alguns simples comentários sobre o caráter do pai ou da mãe podem causar danos sérios, como a depressão, distúrbios de atenção ou outras doenças com fundo psicológico, podendo levar o filho a se tornar uma criança agressiva e até mesmo isolada.
“Enquanto o laço de marido e mulher se rompe, o vínculo pai e filho ou mãe e filho não termina. Mas você pode escolher ser um bom pai ou uma boa mãe, ou preferir ser um péssimo pai ou uma péssima mãe para o resto da vida”, alerta Cássia.

Em agosto deste ano, o presidente Luis Inácio Lula da Silva aprovou o projeto de lei que pune os pais que a praticam. A lei define como alienação parental quando o pai ou a mãe detém a guarda da criança e promovem uma constante difamação do outro genitor ou quando impedem que o acesso do cônjuge ao filho. A punição vai de acompanhamento psicológico obrigatório a suspensão ou inversão da guarda, passando pelo pagamento de uma multa estipulada pelo juiz.

http://www.youtube.com/watch?v=7HALAmLqHBM&feature=related

*Imagens retiradas de passa-palavra.info e G1

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Alienação política

De acordo com o sociólogo brasileiro Simon Schwartzman, ex presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), alienação política é a incapacidade de um povo em se orientar politicamente conforme seus próprios interesses; é o desinteresse total pelos fatos políticos.

De acordo com Platão e Aristóteles, o homem é um animal político, pois o verdadeiro cidadão é aquele que efetivamente participa da vida em sociedade; um ser social é um ser político, pois a política nada mais é que condição do bem comum. Assim sendo, aquele que não vive em sociedade, ou é um Deus, ou é uma besta.

Atualmente, a alienação política está presente na realidade brasileira com prática do consumismo e a despreocupação em relação aos problemas sociais, que flagelam a nossa nação. Isso é um fenômeno que nos leva a não percepção dos acontecimentos nos quais estamos inseridos. A população deve sentir-se inserida na sociedade e participar ativamente dos processos políticos para que a situação seja invertida. O primeiro passo para transformar um estado alienante em um de participação

 

Desta forma, fica claro a necessidade do homem de atuar como sujeito ativo no processo de formação da polis. Logo, pode-se afirmar que a alienação política é a não interação do ser humano com as ações políticas e sociais.