A alienação está arraigada na sociedade – I

Posted on 23/09/2010 por

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O termo alienação é considerado uma condição psico-sociológica de perda da identidade individual, ou coletiva. O conceito de alienação abrange várias áreas do conhecimento que o definem de diferentes formas:
– Em psicologia e psiquiatria, alienação designa o estado mental de uma pessoa cuja ligação com o mundo a sua volta está diminuída.
– Em antropologia, o termo é utilizado para explicar o estado de um povo forçado a abandonar seus valores culturais para assumir os de outro, por exemplo, o de um colonizador.
– Em sociologia e comunicação, o termo é debatido a partir da alienação que os meios de comunicação geram na sociedade, conduzindo a vontade das massas, criando necessidades de consumo e desviando o interesse das pessoas para atividades passivas e não participativas.
O termo alienação entrou no vocabulário contemporâneo por conta das leituras que Karl Marx fazia dos estudos de Hegel. Para o último, o trabalho é a essência do homem, quer dizer, é somente por meio de seu trabalho que o homem pode realizar plenamente suas habilidades em produções materiais.

Ao contrário de Hegel, alienação, para Marx, tem um sentido negativo, em que o trabalho, ao invés de realizar o homem, o escraviza; ao invés de humanizá-lo, o desumaniza. A vida do homem passa a ser medida pelo que ele possui e não pelo que ele é.

Foi o filósofo alemão que idealizou os diferentes tipos de alienação, como a religiosa ou a econômica, que é a básica e pode ser descrita de duas formas: o trabalho como atividade fragmentada e como produto apropriado por outros.

De acordo com o Dicionário Priberam de Língua Portuguesa, a palavra alienação, vem de “alienar” (do latim alieno), que significa transferir para domínio alheio; alucinar.

Alienação, por sua vez, tem inúmeras definições como: transferência de domínio de algo, perturbação mental, na qual se registra uma anulação da personalidade individual, arrombamento de espírito, loucura, etc. Pode também referir-se à diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar em agir por si próprios.

Ainda, de acordo com o Dicionário Online de Português, alienação pode significar o estado da pessoa que, tendo sido educada em condições sociais determinadas, se submete cegamente aos valores e instituições dadas, perdendo assim a consciência de seus verdadeiros problemas.

 

http://www.youtube.com/watch?v=cVMN_1AWpCw&feature=related

 

Alienação Social – Para Marilena Chauí, filósofa brasileira, alienação social é o desconhecimento das condições histórico-sociais concretas em que se vive, produzidas pela ação humana também sob o peso. Em seu livro, “Convite à Filsofia”, Marilena diz que existe uma dupla alienação: “por um lado, os homens não se reconhecem como agentes e autores da vida social com suas instituições, mas, por outro lado e ao mesmo tempo, julgam-se indivíduos plenamente livres, capazes de mudar suas vidas individuais como e quando quiserem, apesar das instituições sociais e das condições históricas. No primeiro caso, não percebem que instituem a sociedade: no segundo caso, ignoram que a sociedade instituída determina seus pensamentos e ações”.

De acordo com a filósofa, exitem três tipos de alienação social na sociedade moderna. A primeira diz respeito ao não reconhecimento dos homens como produtores das instituições sociopolíticas e se dividem entre aceitar passivamente tudo o que existe, por acharem que é natural, ou rebelam-se individualmente julgando que podem mais do que a realidade os oferece. “Nos dois casos, a sociedade é o outro (alienus), algo externo a nós, separado de nós, diferente de nós e com poder total ou nenhum poder sobre nós”.

A segunda seria a econômica, que também é dupla. Neste tipo de alienação, os produtores não se reconhecem como tais, nem se reconhecem nos objetos produzidos por seu trabalho. A primeira forma dessa alienação diz respeito a desumanização e a coisificação do homem. O que acontece é que trabalhador, ao receber seu salário, foi transformado numa mercadoria, pois vende sua força de trabalho. Porém, estes não percebem como foram “reduzidos à condição de coisas que produzem coisas”.

Na segunda forma da alienação econômica “as mercadorias não permitem que o trabalhador se reconheça nelas. Estão separadas dele, são exteriores a ele e podem mais do que ele. As mercadorias são um igualmente um outro, que não o trabalhador”. Ou seja, isso significa que o preço dado ao produto vendido em um mercado, que foi produzido pelo trabalhador e que não consegue adquiri-lo, por desigualdade de valores, é maior do que o preço dele, trabalhador, isto é, do que seu salário. O trabalhador não reconhece que foi sua classe social que produziu tais mercadorias com o seu trabalho e que não pode tê-los, pelo alto valor. Dessa forma, as mercadorias deixam de ser perecebidas como produtos do trabalho e passam a ser vistas como bens em si e por si mesmas.

A terceira, e última forma de alienação social é a intelectual. Essa alienação resulta da separação entre o trabalho material, produtor de mercadorias e que leva a crer que este tipo de trabalho não necessita de nenhum tipo de conhecimento, e o intelectual, produtor de idéias e, teoricamente, o responsável exclusico pelos conhecimentos.

Para essa alienação existem três formas diferentes.  A primeira é relacionada ao fato dos intelectuais acreditarem que suas idéias são universais, esquecendo ou ignorando que pertencem a uma classe social dominante e que seus pontos de vistas estão ligados a ela. A segunda, diz respeito aos intelectuais acharem que suas idéias já se encontram na própria realidade, esquecendo, portanto, que elas são produzidas e relatadas em forma de teorias gerais. A terceira, por fim, ocorre quando estes homens passam a acreditar que as idéias surgem uma das outras e que nós estamos aqui apenas para sermos seus intrumentos. “As idéias se tornam separadas de seus autores, externas a eles, transcendentes a eles: tornam-se um outro

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