Comércio ambulante compõe cenário de SP

Posted on 30/09/2010 por

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A cidade de São Paulo, a mais populosa do país, conta com diversas opções de alimentos em todas as regiões. Seja em restaurantes, bares ou barracas em suas ruas, existem opções para todos os gostos. Muito embora a fiscalização em cima dos ambulantes seja grande, existem muitos vendedores ilegais, que atuam na cidade sem a licença concedida pela prefeitura e pela vigilância sanitária, o que, em muitos casos, pode ser um risco para a população.

Quando se fala de comer na rua, obviamente existe um preconceito – totalmente compreensível – de parte da população, pois as condições que o produto fica não são das melhores. Servir um produto à “céu aberto” não passa a mesma segurança para o cliente que um estabelecimento fixo, com ar condicionado e em bom estado de conservação, passaria.

As barracas que podem ser encontradas por toda a cidade e possuem os mais variados produtos para consumo. Desde as feiras livres, com seus tradicionais pastéis, até as que servem yakissoba, cachorro quente, doces caseiros e, em alguns casos, até mesmo produtos industrializados.

Alguns projetos da prefeitura de São Paulo e as constantes fiscalizações diminuem o risco de contaminação das pessoas que costumam se alimentar em tais locais. Porém, o risco existe, assim como em lugares que possuem endereço fixo, pois não é o local que determina a qualidade da comida e sim, o estado de conservação além de como a mesma é preparada (condições de higiene, por exemplo, da pessoa que prepara a comida, além da validade dos produtos).

Entre quase todos os vendedores ambulantes, um sonho: ter um negócio próprio, que garanta estabilidade para, ao menos, pagar suas contas e ter a “liberdade” de não ter ninguém cobrando eles por um trabalho honesto. Infelizmente, não são todos que conseguem a realização do mesmo.

A loja de doces “Delícias Glauci”, que conta hoje com 3 endereços na cidade, é um caso de êxito. Ciro e Gláucia, casal dono da rede, começaram a vender bolachas nas ruas há 20 anos, em 1990. Ambos, no inicio, mantinham um trabalho “fixo” em empresas mas, com o tempo, passaram a acreditar mais no negócio que mantinham nas ruas, largaram seus empregos e voltaram as suas atenções para o negócio que tinham nas ruas. Humildes, contam como começou a história da loja. “Eu trabalhava na área de vendas do Estadão e também da Veja, mas decidi que ser empregado duas vezes, não dava. Abandonei primeiro o emprego na Veja e comecei a vender bolacha nas ruas durante o dia – já que o emprego que tinha no Estado era noturno – e, com o tempo, resolvi investir todo o meu tempo na vendas nas ruas. Minha mulher também abandonou o trabalho e, por 16 anos, vendemos bolacha nas ruas, até conseguirmos abrir nossa primeira loja. Inicialmente, trabalhávamos com uma Brasília na região do Ipiranga. Depois, tivemos ainda uma perua. Resolvemos nos estabelecer na região da Avenida Paulista graças ao maior poder aquisitivo das pessoas por aqui, além de uma circulação muito maior”. Ciro conta hoje com a ajuda do filho Marcelo para administrar as lojas e ele e sua mulher passam boa parte do tempo na administração da fábrica de chocolates que conseguiram abrir, no bairro da Casa Verde, e que faz produtos exclusivos para suas lojas.

 

Foto por Luiz Novaes

Nem todos os vendedores conseguem o sucesso que Ciro e sua família conseguiram. “Seu Zé”, como é conhecido pelos seus clientes, é pipoqueiro há mais de 30 anos e pode ser visto com o seu carrinho na mesma região da cidade. Ele conta que já teve dois carinhos apreendidos pela fiscalização, mas que como para conseguir eles de volta é muito complicado – a vigilância exige nota fiscal não só do carrinho, mas também de todos os componentes, como botijão de gás, por exemplo, para devolver o produto apreendido ao dono – ele preferiu comprar todo o equipamento novamente, o que lhe custou cerca de R$ 2.500,00. Em alguns casos, como o do Seu Zé, o medo em conceder entrevista é grande, muito graças ao prejuízo que a fiscalização já causou a ele. Por isto, o mesmo não comentou em momento algum sobre licença para trabalhar como ambulante ou da carteirinha obrigatória para a classe. Mesmo assim, aparentemente, ele estava dentro das normas. Roupas e acessórios dentro da lei, além da higiene aparente em seu carrinho dão a confiança que um cliente precisa para comprar a pipoca com ele.

 

Foto por Eduardo Diamenti

Outro vendedor ambulante é Maicon, que trabalha com seu carrinho de tapiocas pela cidade. Simpático, ele conta que começou a exercer a função nas ruas após a empresa em que trabalhava falir, alguns anos atrás. Maicon que também já teve uma de suas barracas apreendidas pela fiscalização, conta que possui a licença para trabalhar nas ruas desde 1998. Ele informou que a barraca é a sua única fonte de renda e que consegue se manter sem maiores problemas financeiros com ela. “Todo o cuidado com a preparação do alimento é a principal virtude de alguém que trabalha nas ruas” diz ele, enquanto prepara uma tapioca para um de seus clientes. Maicon informa que toma todos os cuidados necessários para que a fiscalização não tenha como apreender novamente sua barraca, pois “não é fácil conseguir recuperar tudo de novo”, conclui.

 

Foto por Eduardo Diamenti

A fiscalização na cidade é algo evidente. Os vendedores têm medo, pois dizem haver um preconceito ou um rigor maior com quem trabalha nas ruas. Algumas exigências não têm como serem cumpridas, mas eles fazem o máximo para manter seus “meios de sobrevivência” dentro da lei. Todos afirmam que só se mantém nas ruas até hoje por causa do atendimento que oferecem, e que possuem seus clientes fiéis. Este é o segredo deles. Tentam compensar o preconceito de parte da população com um atendimento diferenciado. E, em muitos casos, conseguem.

http://player.vimeo.com/video/15435544<p><a href=”http://vimeo.com/15435544″>Barracas de Comida – São Paulo</a> from <a href=”http://vimeo.com/user4856363″>Luiz Novaes</a> on <a href=”http://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

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