Diversidade põe fim à guerra dos sexos

Posted on 09/12/2010 por

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Troca de papéis entre homens e mulheres marca geração atual

      No fim de 2009, o IBGE divulgou um levantamento classificado por seus coordenadores como “surpreendente”: de 1998 a 2008, a porcentagem de mulheres chefes de família subiu de 2,4 % para 9,1. Esse número refere-se a apenas aos casamentos ou uniões estáveis; se incluirmos as mulheres que vivem sem um companheiro, a porcentagem aumenta para 34,9% (antes, era de 25,9 %).
      Segundo a psicóloga Renata Assunção, “a nova geração de casais busca um comportamento igualitário, mas parte da sociedade ainda insiste em manter os padrões estabelecidos durante décadas a fio. A cultura brasileira tem uma base patriarcal e ainda há preconceito quando uma mulher ocupa uma posição masculina e vice-versa.” João Barboza e Paula vivem juntos há sete anos. Paula trabalha fora e sustenta a casa, enquanto Barboza cuida do filho do casal e é responsável pelos afazeres domésticos. Para ambos, a relação é harmoniosa: “tenho uma família maravilhosa, esposa e filho que me proporcionam momentos de grandes alegrias e nada me incomoda. Faço tudo que é necessário para termos uma vida sadia e produtiva tanto no âmbito familiar, social e profissional. A diferença está na cabeça das pessoas, a vida é muito simples de ser vivida”, diz Barboza.
      Em consequência, a troca de papéis não se resume apenas aos lares. Profissões tipicamente masculinas têm cada vez mais participação feminina. Em 1978, as economistas do país eram 18,76% do total. Hoje, 76,13% dos cargos nesse setor são ocupados por mulheres. Isso se reflete também em áreas como a aviação e até segurança, por exemplo. Mônica Olivieri, 17, é aluna do curso de Aviação Civil da Universi-dade Anhembi Morumbi. “Eu sempre gostei de avião – morava perto de um aeroporto – mas como não queria ser comissária, resolvi pesquisar mais sobre essa área e encontrei o curso. Minha mãe apoiou minha escolha e não sinto preconceito, apesar de ser uma das poucas mulheres na sala. Tenho certeza que nasci para voar”, revela.
      Tom Bachik e Tom Holcomb, por exemplo, são conhecidos manicures americanos. O primeiro faz as unhas de personalidades como Britney Spears e Cameron Diaz e o segundo foi vencedor do World Nail Championship, em 2004. Guilherme Santanna, 28, trabalhava numa transportadora e, um dia, por diversão, fez as unhas de uma prima. Descobriu que tinha habilidade e procurou um curso para se especializar. Hoje, além de fazer unhas tradicionais, é técnico em alongamento permanente de unhas, procedimento que pode custar até R$ 150,00. “Se eu morasse em outro país, usaria unhas tão longas quanto as que faço em feiras de beleza. Às vezes faço coisas extravagantes que a sociedade julga ser de mulher. A última decorei com um ramo de flores. No Brasil o preconceito é muito grande”, diz.
      Na opinião do padre Luis Rogério Cruz, há dois tipos de trabalho que podemos distinguir entre os homens e as mulheres: o físico e o intelectual. “Se olharmos a sociedade moderna vamos ver que as mulheres estão ocupando posições que antes eram só dos homens, especificamente no que diz respeito ao intelectual. Há sempre uma mulher atrás de um homem bem-sucedido. O homem tem a força consigo além do intelectual, mas ambos são capazes de levar adiante qualquer trabalho nessa área, haja visto que temos uma mulher no Supremo Tribunal Federal, o que significa que se o homem vacilar, perderá cada vez mais este espaço para as mulheres”, diz.
      Ele continua: “Outro aspecto é o físico. Há também muitas mulheres que competem em atividades físicas de igual para igual. Sabemos que ser motorista de caminhão, por exemplo, é uma tarefa árdua, cansativa, pesada e mesmo assim há mulheres na estrada. Vemos que existem mulheres que fazem muito bem o papel do homem em vários segmentos onde se exige a força bruta. Por outro lado, existem homens assumindo tarefas antes exclusivamente femininas. Quantos pais homens assumem a responsabilidade de cozinhar, lavar, arrumar casa além do trabalho fora, como antes faziam as mulheres, para cuidar de seus filhos. E nisso não entra a questão da genitalidade, de ser homem ou mulher sob o aspecto biológico. Na realidade, é importante separarmos bem esta questão: uma coisa é a sexualidade, que envolve todo relacionamento humano, isto significa ser homem ou mulher; e outra é ter a genitalidade masculina ou feminina, que traz em si uma diferença também psicológica na relação entre homem e mulher. O trabalho em si, não tem genitalidade, quem a tem somos nós, como seres humanos. O apóstolo Paulo nos diz que, pela fé, não existe grego, nem judeu, nem homem, nem mulher, todos somos criação divina”.
      Hoje, 40 anos após a emancipação feminina, a mulher tem liberdade de escolha para investir na sua carreira e conquistar a independência financeira, e não apenas um caminho convencionado, como casar e ter filhos. Apesar de ainda haver casos de preconceito, isso mostra que a barreira entre atividades executadas somente por homens ou mulheres tem diminuído e contribui para uma sociedade mais equilibrada e livre da imposição de papéis a serem seguidos.

      Entrevista realizada e ditada com Aliny Milreu, atualmente editora da revista Alta Gastronomia e antiga comissária de bordo e piloto de helicópteros.

      Áudio:

      Entrevista com mulheres frentistas por Antônio

      Grupo: Mariana Pedro, Marília de Lucca e Antônio.